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Na próxima nota – O povo de Hitler –, é apresentado um livro que aborda um dos mais nefastos episódios históricos, a ascensão e consolidação do nazismo na Alemanha. Com sua opção por um sonderweg, uma “via peculiar”, a “via prussiana”, dentro do contexto europeu-ocidental, lá na formação do Estado alemão moderno, no século XIX, tanto o país quanto seus cidadãos foram objeto de críticas e de manifestações preconceituosas, muito antes do aparecimento do nazismo. Imagine-se a força destas manifestações anti-alemãs após a catástrofe causada pela Segunda Guerra Mundial e por seus desdobramentos.

 

Um dos temas a que me dediquei como pesquisador é a história do nazismo no Brasil. Por consequência, sou consultado, com alguma frequência, como suposto conhecedor da história do nazismo na Alemanha. Invariavelmente, sou obrigado a decepcionar os interessados, pois meu conhecimento sobre o nazismo na Alemanha não passa de elementar, de senso comum. Felizmente, conheço pessoas que se dedicam ao tema, às quais posso remeter. Uma delas é Vinícius Liebel, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele é especialista, no mínimo, desde a defesa de sua tese de doutorado, na Universidade Livre de Berlim, em 2011, intitulada Politische Karikaturen und die Grenzen des Humors und der Gewalt [Caricaturas políticas e os limites do humor e da violência]. Em 2018, publicou, pela Editora Contexto, um alentado volume de 317 páginas sobre Os alemães. Mesmo que não seja um livro específico sobre o nazismo, há um capítulo dedicado a ele.

 

 

Em junho de 2018, postei um texto crítico em relação a uma série transmitida pelo “Jornal da Band” sobre supostas atividades nazistas em São Francisco do Sul, SC, nos anos 1930/40. A irresponsabilidade desta matéria foi total, como fake news e como potencial de instigação ao ódio contra o povo catarinense, em especial a seus cidadãos de descendência alemã. Meu comentário está no seguinte link:

Recebi a notícia de que, no dia 29 de janeiro de 2023, faleceu Adriana Abreu Magalhães Dias. Este site foi fundado, em 2009, em grande parte, para criticar, e até combater, alguns aspectos de manifestações e de atos dela em relação a nazismo e a neonazismo no Brasil.

O neonazismo no Brasil está na ordem do dia! E o estado de Santa Catarina aparece como centro da alaúza. A imprensa está abarrotada de notícias a respeito. E a coisa não se restringe às “redes sociais” ou a publicações sugeridas pelo Google. Na Folha de São Paulo, uma doutora em História pela USP transformou o hino “Deutschland, Deutschland über Alles” em hino nazista, podendo dar origem a um problema diplomático com a Alemanha, pois a terceira estrofe deste hino é o atual hino nacional oficial do país. A revista Veja, de 30/11/2022, dedicou três páginas à prisão de oito supostos ou efetivos neonazistas no município catarinense de São Pedro de Alcântara. Interessante, no texto, é a observação de que este pequeno município, perto de Florianópolis, é “de colonização alemã” (p. 40). Este é o ponto. E é disto que se tratará aqui.