Notas

Depois de uma semana em que a imprensa de latrina se esbaldou com o caso dos “túneis nazistas” em Ibirubá, a sexta-feira, 4 de outubro de 2019, trouxe novas emoções, com o caso da apreensão de um adolescente em Nova Santa Rita, que teria planejado atacar uma escola.

Quem leu O tempo e o vento de Érico Veríssimo sabe que, bem antigamente, o único alemão sensato lá em Ibirubá era o Dr. Winter. Depois, todos eles viraram nazistas, inclusive atacando, fisicamente, os judeus que por lá viviam - ao menos é isso que sugere o mesmo autor no citado livro. Entre eles, estava o Dr. Frederico Ernesto Braun, primo da afamada Eva Braun, o qual, em 1964, teria forjado sua morte, para “desaparecer do mapa”. Em 1977, veio aquela enorme nave intergaláctica, que – qual o Zeppelin, nos anos 1930 – pairou, por longo tempo, sobre a cidade. Sempre se desconfiou que um dos tripulantes dessa nave havia desertado. Agora, finalmente, a situação foi esclarecida: o ET foi capturado, debaixo dos Andes, num daqueles túneis que levam de Ibirubá a Santiago do Chile.

Como historiador profissional, sempre me esforcei, por um lado, em evidenciar a verdade histórica. Por outro lado, complementando esse esforço, localizado numa segunda interface da questão, tentei chamar a atenção para situações em que essa verdade, eventualmente, estivesse sofrendo arranhões – sempre gostei da tese de Reinhart Koselleck sobre o “direito de veto das fontes”, quando há dados e fatos que contradizem, de forma evidente, uma suposta verdade histórica.

Semana passada, esteve em Porto Alegre o colega Sérgio da Mata, da Universidade Federal de Ouro Preto, apresentando uma interessante fala sobre como e para que escrever História, nos dias de hoje. Ao final, depois das perguntas dos ouvintes e das respostas do palestrante, pedi a palavra para enfatizar, sobretudo para os jovens estudantes presentes, que eles estavam diante do – disparado – maior conhecedor de Max Weber, entre os historiadores brasileiros. Recomendei que lessem seu brilhante livro A fascinação weberiana.

Em outubro de 2018, fui procurado pela jornalista Naira Hofmeister, que pretendia escrever uma matéria para El País – Brasil envolvendo o famigerado caso da “moça da suástica”, no contexto entre os primeiro e o segundo turnos das eleições.