Notas

 

Em 2015 ou 2016, recebi um e-mail de uma pessoa que dizia ter lido meus textos sobre “neonazismo”, afirmando que o problema estava no fato de eu não ter reconhecido o caráter mítico (místico?) do mesmo. Como me considero a personificação da racionalidade, simplesmente descartei a mensagem, sem preocupar-me em guardar o nome do remetente. Já neste ano de 2017, descobri uma dissertação de mestrado cuja leitura me fez relembrar aquele e-mail descartado, sem resposta, levando-me a desconfiar que o autor possa ser o remetente.

 

 

 

Na edição de 14 de abril de 2017, tanto Correio do Povo quanto Zero Hora repercutiram uma matéria originalmente apresentada por Sul21, segundo a qual uma estagiária do curso de Filosofia da PUCRS teria feito apologia do nazismo, no primeiro dia de sua atividade no Colégio Estadual Paula Soares, em Porto Alegre. Se nossa imprensa de meia canela tivesse anunciado que a estagiária chegou à sala de aula e disse aos alunos que durante seu estágio trataria de apenas um filósofo, de Martin Heidegger, o qual, em sua opinião, foi o único do século XX que teve uma coerência absoluta entre pensamento e ação, eu diria que uma eventual suspeita em relação às intenções da moça poderia ser entendida. [Nada contra nem a favor de Heidegger, estou fazendo apenas um exercício de lógica; depois de ter lido uma página e meia de um texto dele, no original (!), desisti, por não ter entendido nada].

 

Na década de 1980, tive um incidente de trânsito com dois soldados da Brigada Militar. Escrevi uma carta ao comandante do batalhão a que pertenciam – sem resposta. Reiterei-a – idem. Fiz a mesma coisa com o comandante-geral, com resultado idêntico. Fui, então, ao Palácio Piratini, e ali registrei, em livro disponível para qualquer cidadão, minha demanda. Poucos dias depois, um coronel da BM fez contato comigo. Aquilo que impressionou no caso foi o fato de que, na conversa do coronel, ficou claro que eu fora considerado um cidadão tão exótico – por persistir, durante meses, numa demanda – que, para saberem quem sou, haviam sido acionados os serviços de informação das forças armadas (o coronel sabia meu posto militar) e, provavelmente, os serviços de informação da OTAN (eu tenho um título acadêmico obtido num país da OTAN, o qual, naquele momento, não estava revalidado e registrado perante autoridades brasileiras – mas o coronel sabia que sou portador desse título).

 

 

Finalmente, um posicionamento oficial: o MPF-RS não possui indícios ou provas de que “alemães”, “italianos” e “poloneses” sejam os responsáveis pelo “neonazismo” no estado!

 

Fico imaginando o caos e a ineficiência que se registrariam na operação “Lava Jato” se a cada novo fato, a cada nova “entrada”, os dados, as informações caíssem na mão de um procurador da República diferente, que não tivesse qualquer conhecimento do desenvolvimento do caso até então, vendo-se, por isso, obrigado a estudar aquilo que aconteceu desde, no mínimo, o “mensalão”, lá em 2005, para entender aquilo que está em jogo agora. O resultado seria um desastre. Infelizmente, tenho a impressão de que com meu caso referente ao “neonazismo” perante o MPF-RS, em curso desde 2012, está acontecendo exatamente isso.

 

 

Estatística é uma área científica muito importante. Através dela, podemos saber qual a probabilidade de nosso candidato eleger-se nas próximas eleições, qual a probabilidade de nosso time conseguir uma vaga na Libertadores ou ser rebaixado para a série B. Mesmo não permitindo uma previsão absolutamente segura do futuro, ela pode indicar aos governos quantos aposentados deverão ser atendidos pela Previdência daqui a 20 anos. Através de modernas máquinas calculadoras, grandes levantamentos estatísticos podem ajudar a estabelecer relações de causa e efeito – assim, pode-se constatar, por exemplo, que entre populações de baixo consumo de sal há menos infartos do coração. Neste caso, os estatísticos falam de uma “correlação” entre nível de consumo de sal e infarto.